Mas afinal, quantos brasileiros vestiram a camisa do Shakhtar nos últimos anos? O número impressiona e ajuda a explicar essa identidade construída dentro do clube. Abaixo, um recorte recente mostra como essa presença foi constante e, em certos momentos, dominante no elenco principal:
| Ano | Nº de brasileiros | Jogadores (idade aproximada na temporada) |
|---|---|---|
| 2016 | 8 | Taison (28), Marlos (28), Bernard (23), Fred (23), Dentinho (27), Ismaily (26), Márcio Azevedo (30), Wellington Nem (24) |
| 2017 | 7 | Taison (29), Marlos (29), Fred (24), Dentinho (28), Ismaily (27), Alan Patrick (26), Wellington Nem (25) |
| 2018 | 6 | Taison (30), Marlos (30), Ismaily (28), Alan Patrick (27), Maycon (21), Fernando (19) |
| 2019 | 7 | Taison (31), Marlos (31), Ismaily (29), Maycon (22), Alan Patrick (28), Dodô (20), Fernando (20) |
| 2020 | 8 | Taison (32), Marlos (32), Maycon (23), Alan Patrick (29), Dodô (21), Marcos Antônio (20), Tetê (20), Fernando (21) |
| 2021 | 7 | Maycon (24), Dodô (22), Marcos Antônio (21), Tetê (21), Fernando (22), Vitão (21), Pedrinho (23) |
| 2022 | 6 | Dodô (23), Marcos Antônio (22), Tetê (22), Fernando (23), Pedrinho (24), Vinícius Tobias (18) |
| 2023 | 5 | Pedrinho (25), Vinícius Tobias (19), Eguinaldo (18), Newerton (18), Kevin (20) |
| 2024 | 4 | Eguinaldo (19), Kevin (21), Newerton (19), Pedrinho (26) |
| 2025 | 4 | Kevin (22), Eguinaldo (20), Newerton (20), outros jovens (base) |
Outro ponto-chave é o estilo de jogo. Historicamente, o futebol brasileiro é associado à criatividade, improviso e habilidade no um contra um, características que ajudam a quebrar defesas fechadas, algo comum em ligas do Leste Europeu. Essa “leveza” técnica virou praticamente uma marca registrada do time.
Mas não é só dentro de campo. Fora dele, o clube criou um ambiente extremamente favorável para brasileiros. Estrutura, adaptação cultural facilitada e até a presença de compatriotas no elenco ajudam novos jogadores a se sentirem em casa. Um diferencial importante na hora da escolha.
Essa política também tem um viés financeiro inteligente. O Shakhtar contrata jovens promissores por valores mais baixos e, após desenvolvimento e destaque em competições europeias, vende esses atletas por cifras muito maiores. É um modelo sustentável e altamente lucrativo.
Maiores vendas nos últimos 20 anos (valores aproximados)
| Jogador | Ano compra | Valor compra | Ano venda | Valor venda | Clube comprador |
|---|---|---|---|---|---|
| Fred | 2013 | €15 mi | 2018 | €59 mi | Manchester United |
| Alex Teixeira | 2010 | €6 mi | 2016 | €50 mi | Jiangsu Suning |
| Douglas Costa | 2010 | €6 mi | 2015 | €30 mi | Bayern de Munique |
| Fernandinho | 2005 | €7 mi | 2013 | €40 mi | Manchester City |
| Willian | 2007 | €14 mi | 2013 | €35 mi | Anzhi / Chelsea |
| Tetê | 2019 | €15 mi | 2023 | ~€25 mi | Galatasaray |
| Marcos Antônio | 2018 | €3 mi | 2022 | €10 mi | Lazio |
Outro fator relevante é a rede de observação construída pelo clube no Brasil. Ao longo dos anos, o Shakhtar estabeleceu conexões sólidas com empresários e clubes locais, garantindo acesso antecipado a talentos antes que eles cheguem ao radar dos gigantes europeus.
Além disso, o sucesso passado reforça o ciclo. Jogadores brasileiros que brilharam no clube abriram portas e criaram uma espécie de “tradição”, tornando o Shakhtar uma vitrine reconhecida para quem sonha em chegar ao futebol europeu.
No fim das contas, a forte presença brasileira no Shakhtar Donetsk não é mera coincidência, é resultado de planejamento, identidade de jogo e visão de mercado. Um casamento que, ao longo dos anos, deu muito certo dentro e fora das quatro linhas.
