Quando alguém fala que o America sempre foi pequeno ou que só aprontava no Carioca, 1986 está aí para lembrar que não é bem assim. O time chegou à semifinal do Brasileirão, passou pelo Corinthians nas quartas e só caiu para o São Paulo de Careca e Müller, que acabaria campeão. E mesmo assim foi super apertado. Foram dois empates por 1 a 1, no Maracanã e no Morumbi, e a eliminação veio no detalhe, pelo critério de melhor campanha.
Quatro anos antes, em 1982, o clube já tinha levantado um título nacional oficial, o Torneio dos Campeões, organizado pela CBF. Na final, o clube carioca venceu o Guarani, conquistando a sua primeira e única taça nacional. O curioso é que neste torneio participaram todos os campeões nacionais até então (menos o Flamengo, que decidiu excursionar pelo exterior), com o America só conquistando a vaga à convite da CBF por já ter disputado 15 edições dos campeonatos nacionais.
Nos anos seguintes, o problema não foi só dinheiro, foi também território. A sede da Rua Campos Sales, na Tijuca, era mais que um endereço. Era ponto de encontro, era identidade, era o coração do clube. Com dívidas fiscais e trabalhistas se acumulando nas décadas de 90 e 2000, o America acabou perdendo esse patrimônio histórico. A sede, que já foi estádio, e depois passou a ser clube social para os americanos, foi demolida em 2019 para a construção de um shopping, cujas obras ainda não se iniciaram.
Sem a base física na Tijuca, o time passou a mandar jogos no Giulite Coutinho, em Edson Passos, Mesquita. Ter estádio próprio no Rio é algo raro e valioso, mas a distância pesa. Sair da Zona Norte e ir para a Baixada muda a rotina do torcedor.
Dentro de campo, a decadência acompanhou o que acontecia nos bastidores. Enquanto o futebol brasileiro se profissionalizava de vez com a Lei Pelé e virava um negócio cada vez mais pesado financeiramente, o America se enrolava em disputas políticas internas, pouca visão de gestão e penhoras constantes de bilheteria e direitos. Sem conseguir segurar promessa da base e sem grana para trazer grandes jogadores, o clube entrou numa sequência de rebaixamentos estaduais que foi tirando o time do noticiário nacional. A sua última grande aparição foi há 20 anos na final da Taça Guanabara de 2006, onde enfrentou o Botafogo, com grande destaque para a torcida que fez festa no Maraca.
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