Quando Ferguson saiu, o castelo desmoronou rápido. Já em 2013/14, o time saiu do título direto para um 7º lugar, num tombo que ninguém imaginava. O Old Trafford deixou de meter medo, a identidade do time se perdeu e o clube entrou num looping de técnicos com ideias completamente diferentes, cada um tentando consertar tudo do zero.
Essa desconexão entre investimento e entrega encontrou seu símbolo máximo em campo através de humilhações que antes seriam impensáveis. O vexame do 4 a 0 para o modesto Brentford, em 2022, onde o time sofreu todos os gols em apenas 35 minutos e correu 13,8 km a menos que o adversário, tornou-se o retrato de um gigante apático. Somado aos históricos 7 a 0 sofridos contra o rival Liverpool e às eliminações para times da terceira divisão (MK Dons em 2014), o United provou que o dinheiro, sem uma alma tática, só servia para financiar o seu próprio declínio.
Até a camisa 7, antes símbolo máximo do clube, virou problema. Depois de Cristiano Ronaldo, quem vestiu o número sentiu o peso. Depay, Alexis Sánchez e Sancho passaram longe de entregar gols, liderança ou regularidade, e ainda deixaram um rombo financeiro considerável.
Os números só confirmavam a bagunça. Em 2021/22, o time fez apenas 58 pontos, desempenho muito abaixo do que se espera de um clube desse tamanho. E o fundo do poço veio em 2024/25, com um 15º lugar, só 42 pontos, saldo negativo e 18 derrotas na liga, a pior campanha desde o rebaixamento de 1974. Ali já não dava mais pra chamar de má fase.
A tentativa seguinte foi com Rúben Amorim, que apostou pesado num 3-4-3 engessado, cheio de alas defensivos e pouca liberdade ofensiva. O time jogava travado, mais preocupado em não sofrer do que em atacar, e até talentos da base, como Kobbie Mainoo, acabaram ficando de lado. O United parecia qualquer coisa, menos o United.
A virada começou quando Michael Carrick assumiu em janeiro de 2026 e fez algo básico: parou de insistir no que não funcionava. Abandonou o 3-4-3 na hora e voltou ao 4-2-3-1, devolvendo função natural aos jogadores e liberando os pontas para jogar de frente, sem tanta obrigação defensiva.
Isso teve efeito imediato. Mainoo voltou ao time titular e Patrick Dorgu, que vinha sendo usado quase como lateral, passou a atuar mais aberto, explorando velocidade. O resultado apareceu em campo, com atuações fortes e vitórias seguidas contra adversários pesados como Manchester City e Arsenal.
Em poucas semanas, o United saiu da parte de baixo da tabela e chegou ao Top 4, mais por voltar ao básico do que por alguma invenção genial. O time retomou intensidade, transição rápida, agressividade e protagonismo, coisas que sempre fizeram parte da sua história.
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